19 de maio de 2016

Ela se senta gostosamente no parapeito de sua varanda, sentindo o vento tocar-lhe o rosto e o cheiro suave de seu chá. Respira e percebe que há dias medita sobre as suas práticas. Seu olhar no mundo e sua coerência. Uma passáro passa no céu e ela sorri ao pensar em como com a leveza dos passarinhos, a astúcia das cobras, a lealdade dos cães e o perfume das flores ela pode fazer melhor do que faz para de alguma maneira transformar-se. Transforma-se em algo melhor, em um ser humano melhor, pois ela acredita que transformando-se também se transforma o mundo ao seu redor.  Um gole longo em seu chá, olha o céu e pensa: "Como somos responsável pelo mundo que vivo". Ele pousa o olhar nas flores de seu gramado e continua a pensar: "Alguns dirão que as estruturas estão dadas, outros que a sociedade nos impõem padrões e alguns outros ainda dirão que são os astros,Deus ou Zaratrusta. Claro que há fatores externos e internos para que o mundo seja o que é neste momento agora. Claro que não se pode fechar aos olhos disso. Mas claro também que tenho uma parcela de responsabilidade sobre o que acontece no mundo." Recordo-se então de um livro antigo: "O Dom Supremo" um sermão de um aspirante a padre onde ele colocava o amor como o maior dom de todos no mundo e afirmava, com um exemplo simples, que dar uma moeda ao mendingo não é amá-lo, pois se o amássemos verdadeiramente nós faríamos muito mais do que dar uma esmola. Esse exemplo cala fundo em seu coração e  na coerência necessária em ser melhor para transformar o mundo em algo bonito de se viver. O barulho do vento a faz parar sua meditação por alguns breves segundos, e, então, ela retorna: "Neste processo é necessário que eu pense essa transformação não se impõem ao outro ferindo em seu direito de ser o que é e ai que talvez a coisa se complique... Pois a mudança é algo estrutural, silencioso e ocorre de dentro para fora - sem violência ou revoluções. O mundo precisa, ou melhor eu preciso, ser melhor para ter uma vida melhor e assim reverberar na vida dos demais." Ela olha novamente as flores no jardim, seu chá está morno agora por causa do frio, mas isto não tem importância...

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